Aprenda como fazer controle de risco no mercado de ações

Tempo de leitura: 9 minutos

Um dos fatores mais fundamentais — se não o mais fundamental — para o sucesso na bolsa de valores é saber como fazer controle de risco no mercado de ações.

A importância desse assunto é tão grande que, muitas vezes, é nesse conhecimento que está a linha tênue entre ganhar ou perder dinheiro na bolsa.

Não importa o tipo de análise que você faz (fundamentalista, técnica, quantitativa etc.) nem se você acerta mais trades do que erra: sem fazer um adequado controle de risco no mercado de ações, é muito provável que você perca dinheiro.

Então, continue a leitura, veja por que isso é importante e aprenda como fazer o controle de risco na bolsa de valores.

Por quê fazer controle de risco no mercado de ações?

Mesmo os investidores de maior sucesso na bolsa costumam errar mais do que acertar as operações que fazem na bolsa de valores.

Isso independe do método de análise que eles utilizam ou mesmo da forma de operação que utilizam nos seus investimentos. No fim das contas, eles normalmente vão errar muito mais do que acertar.

Investidores que acertam 30% dos seus trades já podem ser considerados muito bons. Mas aí você pergunta: se de cada 10 ações que esse investidor compra, ele fica positivo em 3 e negativo em 7, como é possível ganhar dinheiro?

A resposta para isso vem de um conceito muito antigo, de David Ricardo, grande economista e investidor que fez fortuna entre 1790 e 1818:

Cut short your losses; let your profits run on

Traduzindo: “Corte suas perdas logo, deixe seus lucros correrem”.

A primeira parte dessa frase é um dos principais fatores (mas não a único) para o controle de risco no mercado de ações: cortar logo as perdas.

Bons investidores estabelecem os parâmetros de risco aos quais estão dispostos a correr, ou seja, delimitam o máximo que uma ação pode cair antes de ser vendida. Sempre que essa linha é cruzada, o ativo sai de suas mãos.

Por outro lado, quando o preço de uma ação do seu portfólio está crescendo, esses investidores não colocam limites, deixando que elas subam indefinidamente, até a mudança da curva, quando eles finalmente vendem o ativo e embolsam os lucros.

É justamente essa variação — perder pouco e ganhar muito — que permite que os grandes investidores fiquem no azul mesmo errando mais trades do que acertando.

Mas e se eu não fizer controle de risco?

Tanto os ganhos como as perdas na bolsa de valores são exponenciais. Isso significa que a perda do seu capital tem que estar sempre dentro de um limite seguro para que não fique inviável uma recuperação em um breve período.

Na tabela abaixo, você verifica o quanto precisa ganhar para repor possíveis perdas:

Perda do capital (%) Ganho necessário para recompor (%)
2 2,04
5 5,26
10 11,11
25 33,33
50 100
75 300
90 900
99 9900

Note que o valor necessário para recomposição de capital é bastante próximo ao das perdas nas primeiras linhas. Mas essa distância começa a aumentar a partir dos 25%.

Um exemplo bastante claro desse efeito que pode ser nocivo é que se você tinha R$ 100 e perde 50%, fica com R$ 50. No entanto, agora que você tem R$ 50, precisa de 100% de rendimento simplesmente para recuperar o seu capital inicial de R$ 100.

Definitivamente, não é confortável se colocar em uma situação assim… Então, vamos à solução.

Como fazer o controle de risco na bolsa de valores?

Se parece simples no seu conceito, colocar em prática a frase de cortar perdas e deixar os lucros crescerem é quase sempre um embate emocional, principalmente para os investidores que recém-ingressaram na bolsa de valores.

Uma tendência comum entre esses novos investidores é fazer justamente o contrário do que a frase diz.

Eles frequentemente permanecem em ações que estão em queda por não aceitarem a perda de dinheiro e manterem a expectativa de recuperação (que pode não acontecer ou acontecer só em longo prazo).

Por outro lado, eles cortam os ganhos, vendendo ações que ainda estão em tendência de alta — e, portanto, devem crescer mais — simplesmente pelo medo de que elas tenham quedas e diminuam os seus lucros.

Ou seja: por medo de perder, eles deixam de ganhar.

Então, vamos entender em um breve passo a passo como fazer o controle de risco no mercado de ações.

1. Defina o StopLoss

Como fazer controle de risco no mercado de ações - Stoploss

Na figura acima, você observa o gráfico de candles indicando os topos e os fundos de um papel. Os candles pretos indicam os períodos em que a ação fechou em baixa, enquanto os brancos indicam as altas.

Onde posicionar o StopLoss em uma operação é uma dor que atinge todos os investidores e daria um artigo inteiro para essa questão.

Na metodologia quantitativa, não existe um lugar certo. O que fazemos é criar uma regra de StopLoss e simulamos isso pra ver como ela teria se comportado no passado.

Mas, para efeito de exemplo, vamos utilizar uma regra bem conhecida da análise gráfica. Vamos posicionar o StopLoss no último fundo.

Isso porque, de acordo com a análise gráfica, uma ação em tendência de alta cria nesses fundos uma espécie de suporte, ou seja, caso a ação tenha uma desvalorização, deve chegar a esse fundo e voltar a subir o seu preço.

Colocando o valor de StopLoss abaixo dessa linha, o investidor garante que não sairá de uma ação simplesmente por uma oscilação.

No entanto, caso o valor do papel ultrapasse para baixo o fundo, existe uma indicação de mudança de tendência, mostrando agora um viés de congestão ou de baixa. Nesse caso, é hora de vender a ação e sair desse papel.

Isso tudo é apenas para colocar um cenário para você acompanhar o raciocínio. O importante aqui não é onde estamos colocando o StopLoss.

Nesse exemplo, estamos usando uma técnica clássica da análise gráfica. Isso não é o que utilizamos nas estratégias de investimento da Rocktrade, mas seve para que você entenda o que realmente é importante: o DIMENSIONAMENTO DA POSIÇÃO com base em um percentual de capital em risco.

Também cabe ao investidor decidir se deixa a ordem de execução de StopLoss automática na corretora ou se executa a ordem a partir do preço de fechamento.

A diferença do primeiro para o segundo caso é que o stop automático é executado assim que a ação cruza a linha.

Assim, o investidor fica protegido caso a ação continue em queda, diminuindo sua perda. Porém ele pode acabar vendendo uma ação que volte a subir no mesmo dia, em um efeito conhecido no mercado como “violinada”.

Já no stop de fechamento, o investidor analisa o valor da ação após o encerramento do pregão para programar sua ordem para a abertura do mercado do dia seguinte.

Se a ação fechar igual ou abaixo do StopLoss, ele coloca a ordem de venda. Isso vai gerar menos ações stopadas, já que boa parte delas volta a crescer, mas pode fazer com que ele perca um pouco mais nas ações que permaneçam em queda.

2. Calcule o risco da operação

O risco inicial é a diferença entre o preço de compra da ação e o stoploss. Ou seja, se você compra uma ação por R$ 10 e define o stop a R$ 9, o risco inicial de sua operação é de R$ 1.

Calculado o risco inicial, é preciso verificar o risco total, que é basicamente o valor do risco inicial multiplicado pela quantidade de ações.

Risco Total = Risco Inicial X Quantidade total de ações

Como exemplo, se você compra 1000 ações e o seu risco inicial era de R$ 1, quer dizer que o seu risco total será de R$ 1000.

3. Dimensione a sua posição

Com o risco total definido, é possível dimensionar a posição. Esse é um passo essencial para o controle de risco no mercado de ações, já que o dimensionamento de posição é o que vai proteger o seu capital de ser exposto a uma operação de alto risco.

Esse limite é definido por cada investidor. Como exemplo, vamos pensar em alguém que define que vai expor no máximo 2% do seu capital em uma operação.

Se esse investidor tem R$ 10 mil para a bolsa de valores, o risco total de uma operação para ele será de R$ 200. Portanto, em vez de comprar 1000 ações, o investidor do exemplo acima deveria comprar apenas 200 para manter sua operação dentro do limite de risco que ele mesmo definiu.

Para você ter ideia de como o controle de risco é o fator mais crucial para o sucesso na bolsa de valores, em simulações de nossos sistemas, ainda que ações fossem escolhidas de uma forma aleatória (sem qualquer tipo de análise), é possível que o investidor tenha lucros se fizer um bom controle de risco.

Vale ressaltar que todas as estratégias da Rocktrade já contam com todos esses parâmetros, deixando o capital do investidor protegido dos riscos do mercado.

O Método Atlântico, por exemplo, conta com um sofisticado controle de risco no mercado de ações, deixando as perdas com impacto máximo em torno de 1% sobre o capital do investidor em cada operação. Além disso, conta com stop móvel (sobe conforme a ação se valoriza) para aproveitar as variações positivas das ações.

Dessa forma, ele deixa os ganhos crescerem ao máximo possível antes de indicar a saída de um trade ao mesmo tempo em que corta rapidamente as perdas, potencializando o rendimento dos investidores.

Agora que você sabe mais sobre como fazer o controle de risco no mercado de ações, só resta colocar esse conhecimento em prática. Se gostou do conteúdo, compartilhe em suas redes e não deixe de nos seguir: nós estamos no Facebook, no Instagram e no Youtube.

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